
Dia de Catar, 29 de Terra Acorda de 39 SC (Calendário das Planícies)
A água do Lago de Cristal esta completamente parada, sua transparência permitia ver suas profundezas.
Sentado em um enorme tronco de árvore estava Abli e os quatro sacos que ele teria que entregar em Tantallon. O anão cai em um leve sono pela monotonia da espera e a adiantada hora em que se levantou essa manhã.
Haldir sai da pequena cabana onde mora e enquanto se aproxima do anão, guarda as “Lembas” que sua mestra Ellistarel preparou para sua viagem.
Percebendo que o anão dorme, ele pisa em um pequeno galho emitindo um som de estalo que fez Abli abrir seus olhos e fita-lo.Eles se cumprimentam com uma troca de olhares. Em seguida a águia do Ranger pousa em um galho próximo.
Mais tarde chegam Kardanon e Turin. Todos se cumprimentam. O Qualinesti e o anão se levantam.
- Bem, estão todos prontos? Temos quatro sacos para carregar, eu levarei o de espadas curtas. As adagas ficarão com o Haldir, Turin carregará as frutas e Kardanon os pães.
Todos parecem concordar. E assim que pegam seus devidos sacos e os acomodam nas costas, eles partem pela floresta.
O Ranger Qualinesti segue na frente, mostrando o caminho. Não há uma trilha ou estrada, mas as árvores da floresta são afastadas umas das outras, criando um caminho livre a maior parte do tempo, por vezes algumas raízes enormes os obriga a contorná-las.Em um determinado ponto eles param.
- Temos que escolher um caminho agora. Se seguirmos em frente vamos entrar em uma vila de arrasados pela guerra, se escolhermos dar a volta gastaremos mais dois dias de viagem – disse Haldir.
- Arrasados pela guerra? O que isso quer dizer? – pergunta Turin.
- Uma cidade de barracas que brotou aos arredores de Solace. Lar de incontáveis refugiados que escaparam dos Cavaleiros Negros e da Sumo-Senhora Dragoa Beryllinthranox. Eles não possuem nada além do que carregam. Um bando de desesperados. A cidade é conhecida como Triste Cidade – responde o elfo.
- Vamos em frente! – diz imediatamente o Clérigo.
- Espere. É melhor não seguirmos em frente, eles devem estar famintos e nós transportamos comida e armas, podemos ser atacados ou roubados – pondera Kardanon.
- Ninguém irá me roubar! – diz Abli.
- Se eles precisam de comida, vamos dar para eles! Temos bastante conosco! – responde o clérigo.
- Não podemos dar a comida, ela pertence ao povo de Tantallon. O anão precisa levar até lá, pois foi contratado para isso. Devemos dar a volta agora. E quando estivermos voltado das montanhas eu posso acompanhar vocês até a Triste Cidade – diz o Silvanesti na língua dos elfos.
- Eu preciso ir agora para lá. Tenho que ver se alguém precisa de minha cura. É a vontade de Mishakal.
- Vamos na volta. Não podemos entrar lá carregando essas coisas, é arriscado demais – diz o Ranger.
- Eu concordo com o Qualinesti, mas entendo que Turin deseja ver a cidade. Podemos ir lá apenas dar uma olhada e deixar os sacos aqui com Abli enquanto isso – diz Kardanon.
- Podem ir! Eu espero aqui com os sacos. Mas não demorem.
Assim, Kardanon, Turin e Haldir encostaram os sacos em uma enorme raiz e partiram em direção a Cidade Triste.Abli se senta na mesma raiz, ao lado dos sacos. Retira seu machado anão e com um golpe o fixa na raiz, ao seu lado. Antes que pudesse perceber o anão novamente cai em um leve sono.
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A cidade é composta de velhas tentas, sujas e rasgadas. Algumas pessoas dormem no chão e outras se abrigam em casas improvisadas com madeira e folhas. A sujeira e a miséria tornam o ambiente pesado e triste, cheirando a lixo e excremento.
Turin se aproxima da primeira pessoa que encontra, uma mulher. O mago Kardanon o acompanha interessado em ouvir a conversa que se seguiria, Haldir se manteve por perto, mas o tempo todo observa a multidão, sem dar muita atenção ao que se falava.
- A senhora está bem?
- Sim – respondeu um pouco assustada com a presença dos elfos.
- Meu nome é Turin. Sou um clérigo de Mishakal e venho aqui para dizer que em Solace existe um santuário de minha deusa, e que todos que precisarem de ajuda podem procurar por ele. Tem alguém ferido aqui?
Haldir ao perceber uma movimentação estranha sinaliza com a mão para que o jovem clérigo faça silêncio.Vários homens com espadas escondidas por dentro de suas roupas se misturam a multidão. Foi quando um deles sobe em uma pedra e começa a falar.
- Atenção! Meu mestre Adaga Silenciosa me enviou aqui para recrutar todos aqueles que estiverem dispostos a fazer parte de nosso bando. Nós tomamos a parte norte da floresta de Qualinesti e temos abrigos e armas para todos que jurarem lealdade para nosso senhor e se filiarem em suas fileiras de mercenários.
O homem chama a atenção de todos que estão no local. Um dos seus guardas se aproxima do elfo ranger, com sua mão no punho de sua espada.Haldir apenas espera que ele se aproxime pronto para enfrentá-lo se necessário. O homem para em sua frente e o encarando diz.
- Um elfo! O senhor seria de muita valia nos exércitos do Adaga. Com certeza deve conhecer a floresta muito bem e ganharia um posto elevado por isso.
- Vou pensar nisso. Se decidir me unir ao seu grupo irei até seu mestre.
- Melhor decidir agora, pois se entrar na floresta sem nossa companhia será tratado como inimigo.
- Obrigado pelo aviso. Mas agora não posso seguir com vocês, lamento.
- Uma pena, com certeza seria um forte aliado contra os goblins que estão ocupando o interior da floresta.
Durante toda a conversa os dois se olham com suspeita, gerando uma atmosfera de tensão. Por fim o homem se afasta ainda de olho no elfo.
Pouco tempo depois os homens do bando do Adaga seguem para fora da Triste Cidade. Varias pessoas desmontam suas tendas e pegam tudo que possuem para seguir com eles.
- Vamos embora. Vocês já viram o bastante por aqui. Além do mais, Abli está nos esperando sozinho na floresta – diz o ranger.
Eles voltam para a floresta.
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Em seus sonhos, Abli esta cercado por um grupo de goblins que começa a gritar e o ameaçar com suas espadas. Os gritos se tornam tão intensos que o anão acorda com um susto e retira seu machado da raiz, tendo a impressão de ter ouvido algo de verdade.
- Você devia ser mais cuidadoso Abli – uma voz familiar disse em sua língua natal.
- Gorin! É você! Que bom revê-lo primo! – diz Abli com um grande sorriso em seu rosto e dando um forte abraço em seu primo.
- Perguntei para mestre Ultar se pedia acompanhar você em sua viagem assim que fiquei sabendo de sua partida de Solace! Um anão não deve sair em viagem acompanhado apenas de elfos e humanos!
Imediatamente os dois gargalham, pois entre os de seu povo isso soava como uma piada.
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Nos dias seguintes o ranger guiou o mago, os anões e o clérigo pela imensa planície de Abanasinia e montanhas do Pico do Orador. A viagem segue sem grandes dificuldades, porém bastante cansativa.
Em uma parte mais plana da montanha o grupo avista Tantallon.
Uma pequena vila de fazendas que termina nos portões de um velho forte. A construção fica em uma parte elevada, de costas para um precipício que despenca em quase linha reta em um pântano. Seus muros com nove metros de altura cobrem apenas a parte frontal. Duas torres com doze metros ficam nas extremidades do penhasco. Perto dos portões existe uma árvore solitária sem folhas.As fazendas próximas parecem descuidadas e abandonadas.
Haldir suspeitando, se abaixa e começa a observar o solo.
– Goblins passaram por aqui, em um grupo de quatro a mais ou menos cinco horas atrás. Eles seguiram em direção ao castelo – o ranger diz.
Ele olhou a sua volta e avistou uma casa que parecia a muito lacrada e abandonada, fez sinal para que todos esperassem ali.O clérigo e mago se escondem atrás de uma pedra, Abli e Gorin fazem o mesmo sem muita habilidade.
O ranger se aproxima da casa em silêncio e cola sua orelha pontuda na porta. Ele ouve alguma coisa se movendo no interior da construção. Então se abaixa a procura de pegadas, mas não encontra nada. Sorrateiramente ele volta ao encontro do grupo.
- Tem alguma coisa lá dentro, mas não acho que seja um goblin.
- Fique na porta da frente de vigia, eu, Turin e Gorin vamos ver se existe outra entrada nos fundos – disse o clérigo de Mishakal.
Os anões e o clérigo dão à volta na casa e avistam uma porta nos fundos, a sua parte inferior esta destruída, mas a sombras tapam qualquer visão do interior da construção.Abli se abaixa e avista um vulto passando perto da porta. Retira seu machado anão e se aproxima com cuidado. Ele passa por baixo da porta, entrando em uma pequena cozinha, e caminha em direção a sala de entrada com cautela. O vulto se move novamente, desta vez para debaixo de uma pequena mesa no canto da sala. O anão se ajoelha e avista um cachorro vira-lata desnutrido e assustado.
Abli vai a direção a porta de entrada e a abre.
- É só um cachorro! – ele diz para os elfos na frente da casa.
O Qualinesti entra na casa, se abaixa e chama o cão que rapidamente vem até sua mão.
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Em uma pequena sala no alto de uma torre, um robgoblin de nome Trardo, sentado em um trono de madeira segurando uma espada de duas mãos, ao lado de um baú lacrado, conversa com seus seis generais goblins.
- Mestre. Precisamos fazer alguma coisa! A cada dia que passa nossos exércitos ficam mais agitados.
- Estou cansado de ficar aqui também. Este lugar não tem armas, nem comida, nem caça. Mas tenho ordens diretas de Beryllinthranox para ficarmos aqui e aguardar seus comandos.
- Mas mestre Trardo. Com a escassez e monotonia os goblins estão cada dia mais enfraquecidos, desatentos e adoecidos. A insatisfação de todos pode causar um motim a qualquer momento ou uma desistência de muitos de nossos soldados. Na verdade eles só continuam aqui por medo do senhor. Pois sabem que poderia rastreá-los.
- Bem. Vamos fazer o seguinte então. Escolha seis de nossos goblins e os envie para Qualinesti imediatamente, mande-os a procura da dragoa Beryllinthranox entregar um pergaminho que eu mesmo escreverei – disse o robgoblin.
O goblin foi em direção a porta, mas antes de sair seu mestre deu mais uma ordem.
- E mande me trazerem mais água! Estou com muita sede!
Imediatamente o goblin partiu em direção a suas tropas e Trardo pegou um pergaminho com o selo goblin dentro do seu baú e escreveu uma carta para sua senhora explicando toda a situação.
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Abli, Gorin, Turin e Kardanon aguardam na pequena casa abandonada o retorno de Haldir, que foi em direção ao castelo sorrateiramente na tentativa de conseguir mais informações do que estava acontecendo no local.
Algum tempo se passa e Haldir abre a porta cuidadosamente da pequena casa de madeira.
- Então o que descobriu? – diz Abli.
- Alguns moradores estão nas plantações mais próximas da fortificação. Um deles me disse que goblins invadiram o local comandados por um robgoblin a uns seis meses atrás. O governante da vila partiu por uma passagem secreta em busca de ajuda, mas desapareceu.
- E o que vamos fazer? – perguntou Turin.
- Eu tenho um plano. Você irá trocar de roupas com um camponês e no fim do dia entrará com os outros no castelo. Lá vai tentar descobrir tudo que puder sobre os goblins e os que estão presos lá dentro. Pela manhã você voltará para o arado e eu vou ao seu encontro – diz o ranger.
- Não será perigoso para Turin? - pergunta Abli.
- É só você não chamar atenção dos goblins. E fazer tudo que os camponeses fizerem. Eu conversei com um morador daqui e ele me disse que os goblins a muito se desinteressaram em olhar para a cara dos prisioneiros. A parte mais complicada e quando eles abrem os portões da cela, pois fazem uma contagem de quem sai e quem entra, mas mesmo isso eles o fazem sem muita atenção. E como você é o único humano entre nós, acredito ser o que melhor poderá se passar por camponês – diz Haldir.
Todos concordaram acenando com a cabeça.
O elfo ranger acompanhado do jovem clérigo saiu pela porta da pequena casa.
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O goblin correu escadas abaixo em direção a casa da guarda. Seu sangue fervia de excitação pela primeira vez
- Finalmente o mestre tomou uma atitude! – Ele grita dentro da sala onde os outros goblins dormem. Imediatamente todos ficam de pé esperando as explicações de seu superior.
- O mestre Trardo escreveu uma carta para a dragoa e eu vou selecionar seis entre vocês para levá-la até a floresta de Qualinesti. Os escolhidos irão partir imediatamente!
Os goblins ficam animados com a idéia de deixar esse lugar e voltar para a floresta, onde a comida e a água são abundantes. O salão foi tomado por um murmúrio, todos parecem apreensivos para serem escolhidos.
Então os seis sortudos são eleitos e partem. Os outros se deitam novamente e voltam a expressar todo o desânimo que sentiam minutos antes da notícia ser dada.
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Turin disfarçado de camponês vai até o arado com uma enxada e tenta imaginar o que um agricultor faz em uma plantação de repolhos como aquela.
Haldir fingindo ser um camponês, passa pelos guardas do portão e entra no pátio do castelo. Escondido ele descobre onde os goblins dormem e examine a torre da direita. Depois ele volta para os portões do castelo e quanto passava pelos guardas um goblin diz – Ei. Servo!
O elfo parou e ficou esperando sem mover um músculo.
- Leve água para o mestre!
O elfo volta para dentro do pátio e vai em direção ao poço, retira um balde de água e leva para a torre da esquerda.Ele sobe as escadas e para em frente a uma porta de madeira reforçada, ele bate e depois de alguns minutos ouve a porta ser destrancada e um goblin aparece em sua frente.
- Coloque a água do lado do trono! – diz o goblin apontando na direção do robgoblin, que segurava sua espada de duas mãos.
Depois de colocar o balde no local o elfo ficou parado esperando outras ordens.
- O que está esperando! Um pagamento! – disse um goblin. Todos na sala gargalhavam enquanto o elfo saía de cabeça baixa.
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O tempo passou e quando o sol estava se pondo atrás da fortaleza um som de metal estralando se espalhou por toda a vila. Os goblins chamam os escravos humanos de volta para sua sela. Turin acompanha a multidão e passa pelos portões sem nenhuma dificuldade. Ao entrar no grande pátio ele se dirige para a torre da esquerda e desce uma escada que o leva para dentro da sela, conforme planejado.
Assim que entra ele procura o líder entre os camponeses que pudesse conversar. Rapidamente ele encontra.
- Meu nome é Luna Loris, sou a filha de Tallans Loris, o senhor destas terras.
- Meu nome é Turin. Sou um enviado da deusa Mishakal. Vim para ajuda-los.
- Enviado por uma deusa! Mishakal você disse?! Ela se importa com a gente?
- Claro que sim. E me enviou para ajuda-los. Mas preciso saber tudo que puder me dizer sobre os goblins e a rotina de vocês.
- Um dia nós vimos um enorme dragão verde sobrevoando os céus, bem próximo a nossa vila. Algum tempo depois os goblins apareceram. Meu pai acredita que eles forma enviados pelo dragão, para usar o forte como base para um ataque a Abanasian. O cerco durou um mês, mas depois nos rendemos pela falta de alimentos. Os goblins nos mantiveram prisioneiros e seu líder é um robgoblin. Meu pai decidiu buscar ajuda e em uma noite ele fugiu por uma passagem secreta pelo poço, mas depois disso desapareceu. As noites eu ouço seu choro de lamento vindo do alto da torre da direta.
- Lamento. Você sabe quantos goblins são?
- Não tenho idéia, mas diria que mais que trinta. Durante o dia eles parecem mais sonolentos e a noite ficam mais ativos. Com o fim do inverno os goblins passaram a libertar vinte de nós para cuidar das plantações. Mas a comida é pouca e muitas vezes temos que comer o que os goblins conseguem caçar durante a noite.
- Eu trouxe um pouco de “lembas” que meu amigo elfo me deu para dividir com vocês, mas precisamos de uma distração para que eu possa repartir entre todos.
- Distração. O arauto cuidará disso sem problemas.
- Quem?
- O Arauto é aquele homem que esta dormindo naquele canto. Ele veio pra vila há um mês e se rendeu aos goblins. Ele me disse que fez isso porque está aguardando alguém aqui
A jovem mulher se aproxima do homem dormindo no canto da cela e o acorda gentilmente.
- Arauto. Está na hora de uma de suas histórias.
O homem se levanta e bate o pó de suas vestes. Aproxima-se das grades e começa sua história.
“- No fim da guerra do caos, quando todos pensavam que o mundo teria um descanso após todos os flagelos que sofreu, uma enorme tempestade se formou de norte a sul, de leste a oeste por toda Ansalon. Varrendo o continente e castigando todos os povos do mundo. O céu se tornou negro e quando a tempestade passou Lua Dourada do alto de sua torre olhou para os céus e viu que todos as estrelas e as luas haviam desaparecido de lá, apenas uma estrela central e solitária ocupava o imenso céu negro da noite. Ao olhar para o mar ela viu uma jovem trazida pelas ondas desmaiada na praia de Shellsea. Imediatamente Lua Dourada foi em direção a praia ao encontro da jovem e ela lhe disse que seu nome era Mina...”
Os goblins parecem facinados. Ouvindo cada palavra que o arauto diz. Enquanto isso Turin e Luna dividem a comida elfica entre os prisioneiros, que devoram tudo enquanto o Arauto termina sua história. Por fim o contador de histórias se afasta da grade e volta a se sentar no mesmo local onde estava antes. Turin se aproxima do homem e pergunta - Como sabe de tanta coisa?
- Eu vi tudo isso. Em meus sonhos.
O clérigo fez uma cara que misturava encanto e espanto.
- De onde você é?
- Sou daqui de Abanasinia mesmo. Mas já estive em muitos lugares...em meus sonhos é claro.
- Eu sou de Solamnia. O que você sabe de lá?
- Solamina uma terra maravilhosa com planícies que vão até o horizonte. É claro que a região mudou muito desde o cataclisma, mas ainda assim ela mantém os encantos dos velhos tempos.
- Você conhece Solamnia desde antes do cataclisma?
- A sim. As maiores planícies de toda Ansalon. Por isso mesmo os povos antigos desenvolveram a montaria em cavalos, que mais tarde veio a formar os cavaleiros de Solamnia, mas isso graças a Huma. Um grande guerreiro que teve seu valor reconhecido pelo próprio Paladine e durante a Guerra dos Dragões, revelou a ele o segredo da Dragonlances.
- Você conheceu Lua Dourada? Ela é parente minha – diz Turin.
- A sim. Acompanhei Lua Dourada desde quando ela descobriu o bastão de luz azul. Mas se você é da família de Lua Dourada porque nasceu em Solamnia?
- É que quando a ordem foi refeita, meu pai se juntou as fileiras dos Cavaleiros da Rosa e passamos a morar em Solamnia desde então.
- A sim, muito curioso. Mas agora com licença, já é tarde e eu vou tirar um cochilo – diz o Arauto se ajeitando na parede dura.
Turin percebe que já deve ser tarde da madrugada, pois todos dormem, então tentou se ajeitar também para descansar um pouco.
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Abli, Gorin, Kardanon e Haldir se acomodam na pequena casa. Os anões dormem sentados em duas cadeiras de madeira que ficam na sala, o mago em posição de lótus no chão e o ranger permanece acordado a noite toda
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Durante a noite Luna acordou assustada, como quem estivesse despertando de um pesadelo. Turin se levantou e foi até ela.
- Você está bem?
- É o choro. Eu estou ouvindo.
Turin não ouvia nada, mas se pós de pé e se aproximou da estreita janela que dava para o pátio interno na tentativa de ouvir algo. Foi quando ele teve a impressão de ver o fantasma de um homem passar no alto da torre da direta. O clérigo se voltou para a jovem mulher tentando acalmá-la.
- Vamos rezar para Mishakal. Eu vou lhe ensinar uma oração que faço quando estou aflito.
Os dois rezam até que a jovem volta a dormir.
Na manhã seguinte um goblin bate com sua espada na grade da sela e grita – Atenção humanos! Façam fila para saírem!
O portão é aberto e os camponeses que saem são contados pelo goblin, Turin sai entre estes e quando o goblin chegou no número vinte ele fecha novamente o portão.
O clérigo segue até um milharal e lá se encontra com Haldir que o aguardava.
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Na pequena casa Abli, Gorin e Kardanon comem um pedaço de pão quando o ranger entra acompanhado do clérigo de Mishakal. Os dois se sentam à mesa junto aos outro e todos se cumprimentaram.
- Então Turin, o que descobriu?
- Os portões são vigiadas por dois goblins, depois existe um pátio interno e no meio dele existe um poço. A prisão fica na torre da esquerda, no subterrâneo. Lá existem quatro guardas goblins que vigiam os prisioneiros, enquanto dois vigiam os outros dormem lá mesmo no chão.
- Dentro da cela tem quarenta pessoas, entre elas velhos e crianças. Durante o dia vinte são liberadas para trabalhar no campo, mas devem voltar no início da noite para a cela.
Enquanto o clérigo conta o que descobriu, Gorin tenta desenhar um mapa na mesa com sua adaga sem muito sucesso.
- Quantos goblins são no total? – pergunta Haldir.
- Não sei. Sei que a torre da direta está abandonada. E que a noite saem do castelo seis patrulhas de quatro goblins cada.
- Isso dá vinte e quatro goblins, mais quatro da prisão e dois dos portões da um total de trinta, mais o líder e sua guarda pessoal devem ser quarenta goblins. Mais os que devem se revezar com os do portão...acredito que o exército goblin tenha quarenta e seis membros no total – diz Haldir.
Os outros olham para o ranger em silêncio por um instante.
- Então o que vamos fazer? – pergunta Abli.
Todos ficam em silêncio por alguns instantes e alguns planos começam a ser apresentados. Até que o Qualinesti finalmente concluiu a discussão.
- Bem. Vocês entrarão disfarçados na prisão. E eu passarei as armas para vocês durante a madrugada. Assim que o sol nascer eu liberto vocês da cela e nós atacaremos o líder na torre da esquerda.
O elfo providencia roupas para todos e conforme planejado, eles entram na cela assim que anoitece.
Ao entrar, o jovem clérigo percebe que o Arauto esta com um corte no rosto causada por um goblin que não gostou muito de uma de suas histórias. Ele se aproxima do homem e sem chamar a atenção para si, põe a mão em sua face.
- Mishakal, se for de sua vontade, que este homem se cure – as mãos do clérigo brilharam em um tom azul pálido e o ferimento se fechou.
Abli e Gorin ficam surpresos, pois nunca viram a magia dos deuses. Gorin se aproximou do clérigo e percebe que todas as histórias que ele ouviu sobre o poderoso deus Reorx em sua infância podem ser verdadeiras.
- Turin. O que você sabe sobre Reorx?
Turin se vira para o anão e começa a contar tudo que seu mestre havia lhe ensinado inclusive uma velha oração para o supremo deus dos anões.
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Pela segunda noite seguida Turin não consegue dormir na desconfortável cela.
Na madrugada Gorin acorda assustado no mesmo instante que Luna. Ambos olham para a pequena janela.
- Turin. Estou ouvindo um choro vindo daquela torre – diz o anão.
O clérigo se concentra para tentar ouvir algo, mas não ouve nada além do ronco dos que dormiam.
- Existe um fantasma de Tallans Loris que está preso naquela torre. Eu o vi na noite passada. Infelizmente eu não sei o que devo fazer para livrá-lo de seu sofrimento. Mas acho que se encontrarmos o corpo dele e o interrarmos talvez ele consiga o descanso final – diz o clérigo.
- Um fantasma!! – diz Gorin esbugalhando os olhos.
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Na madrugada o elfo ranger faz o cão vira-lata latir na lateral do muro, causando distração suficiente para permitir que ele entre pelos portões do castelo sorrateiramente. Ele entrega as armas de seus companheiros pela pequena janela poucas horas antes do nascer do sol e depois vai em direção à pequena escada que leva a cela.
Dois goblins dormem no chão enquanto dois outros vigiam a cela. Haldir manda sua águia voar em rasante na direção dos goblins e com uma flecha mata um deles. O outro se move em direção dos que dormiam, mas Gorin arremessa sua adaga certeiramente na nuca do goblin e ele cai morto.
Os outros dois são mortos ainda dormindo pela lâmina do Ranger. Depois disso ele liberta seus amigos e pede para que avisem aos camponeses para permanecerem ali.
O grupo vai em direção a torre da esquerda, chegando na porta trancada. Abli se posiciona na frente dela e bate três vezes. Assim que a porta começa a ser aberta ele dá um forte chute. O goblin que estava atrás da porta voa contra a parede do cômodo e cai inconsciente. Haldir dispara uma flecha no peito do Robgoblin que se levanta de seu trono. Gorin mata outro com seu machado assim que ele se aproxima. Kardanon lança uma de suas magias que põe os outros quatro goblins a dormir. E antes que o Robgoblin possa desferir um golpe em Abli, o ranger atira mais uma flecha que o derruba.
Haldir pega a espada de duas mãos do monstro e as chaves no cinto de um goblin e desce em direção ao quarto dos guardas acompanhado de Kardanon.
Abli vai até o baú que estava na pequena sala e o abri. Acha uma pequena gema dentro dele e a guarda em seu cinto. Dentro do baú ainda tem um pergaminho e moedas de ferro.
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No pátio os dois goblins que vigiam o portão vêem os elfos, mas antes que possam fazer qualquer coisa o mago os põe a dormir usando sua magia mais uma vez.
O ranger destranca a porta do cômodo e a chuta, fazendo um enorme barulho. Assim que os goblins vêem o elfo empulhando a espada de seu líder eles se rendem e fogem da fortaleza. Kardanon exausto se encosta a uma sombra no pátio do castelo e dorme, com suas forças consumidas pelas magias que lançou.
A noite, quando todos param com os trabalhos, Luna se aproxima do grupo que conversava em um canto do pátio.
- Muito obrigada por nos libertar. Serão sempre bem vindos em Tantallon!
- O Obrigado Luna!
- Até quando pretendem ficar na cidade?
- Bem, ficaremos um mês, pois quero treinar aqueles que desejarem na arte da espada – responde Gorin.
Luna sorriu de alegria.
- Infelizmente eu e Turin temos que partir ao amanhecer para a Triste Cidade. Eu prometi ao clérigo que iria com ele – diz Kardanon em elfo.
- Tem certeza que vocês podem partir sozinhos? Não seria perigoso? – pergunta Haldir.
- Não se preocupe – diz o Silvanesti.
Luna espera em silêncio a conversa entre os elfos terminar.
Nesse instante o Arauto se aproxima dos elfos.
- Eram vocês quem eu esperava! Eu vim aqui para avisá-los que a arma que deveria estar com vocês foi roubado e agora se encontra com um ladrão chamado Adaga Silenciosa!
- Que arma é essa? – perguntou Haldir.
- Eu não sei, eu não pude vê-la em meus sonhos. Mas sei que ela está com ele e que eu precisava avisá-los.
Os elfos se olham por um instante, o ranger desacreditando no humano decide ignorá-lo, já o mago acha muito interessante a informação.
Ambos agradecem ao Arauto, que faz uma saudação e depois parte da ainda a noite.
Luna retoma o assunto.
- Infelizmente não tenho acomodações dignas no momento – a mulher disse apontando para a torre onde estavam os corpos dos goblins e do robgoblin – Mas posso oferecer o pátio do castelo para armarem suas tendas e sacos de dormir.
- Obrigado!
- Nós decidimos que iremos procura o corpo de seu pai Luna. Acreditamos que ele esteja nos túneis debaixo do poço. E que assim poderemo libertar o fantasma para que ele possa descansar em paz – diz o ranger com o apoio dos anões.
A jovem acena com a cabeça.
- Amanhã pela manhã, subam comigo na muralha da fortaleza, pois irei convocar a população para um comunicado importante – diz a jovem.
Todos concordam com a cabeça.
Os humanos acendem tochas e minutos mais tarde todos estão em suas casas, agora iluminadas. O silêncio cai em seguida quando toda a vila adormece.
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Os primeiros raios do sol já tocam o alto da montanha onde se encontra a vila de Tantallon, um som de corneta soa entre as montanhas próximas. As portas das casas se abrem e logo depois as pessoas já se aglomeram em frente a muralha da fortaleza. No alto dela esta Gorin, Abli, Haldir e Luna, a jovem segura um chifre de veado em suas mãos e mais uma vez o pões em seus lábios emitindo o estridente som para aqueles poucos que ainda não tinham chegado. Assim que o silêncio se fez, a jovem começou a falar.
- Meus amigos. Quero lhes apresentar os heróis que libertaram nossa vila das garras dos goblins! Este ao meu lado é anão Gorin Martelo DeFerro de Thorbadin, ao seu lado este seu primo Abli Martelo DeFerro. E o elfo de Qualinesti Haldir Wien!
Todos aplaudem e quando o silêncio se fez novamente ela volta a falar.
- Bem. Amigos. Nossos heróis ficarão na cidade durante um mês a partir de hoje. Eles pretendem nos ensinar sobre espadas e a arte da luta. Eu preciso de um período de luto, pois como todos sabem meu pai infelizmente morreu com a invasão – por um instante ela para de falar emocionada – Então nossos heróis assumirão o poder durante todo o período que estiverem em nossa vila, atenda-os como seus senhores até o dia em que partirem. E a partir desse dia eu estarei preparada para assumir meu trono de Senhora de Tantallon.
As pessoas conversam aos pés da muralha, algumas surpresas com a declaração, outras dando seu apoio a Luna ou simplesmente comentando sobre tudo o que passaram.
- Senhoras e senhores. Agora eu passo a palavra para Gorin Martelo DeFerro.
Ela dá um passo atrás na muralha e o anão se aproxima mais do muro para poder ser visto melhor.
- Amanhã ao por do sol, todos os que estiverem interessados em fazer parte Milícia de Tantallon devem se apresentar no pátio do castelo. Eu e meu primo iremos ensinar movimentos básicos da espada e arremesso de adagas. O treinamento será diário e começará em uma semana.
Um murmúrio contagia os camponeses, mas logo em seguida o silêncio se fez mais uma vez.
- Agora senhores com a palavra o elfo de Qualinesti Haldir.
O elfo fica surpreso com o direito a palavra. Seus pensamentos aceleram e nada lhe vem a mente, sentenças não se formam e sua voz parece desaparecer, até que ele finalmente se vira para Luna e sussurra – Não tenho nada a dizer...
A jovem se sente desconcertada por um instante, mas retoma a cerimônia com naturalidade.
- Agora senhores, com a palavra Abli.
- É isso que meu primo disse! – diz o anão sem muita paciência para formalidades públicas.
- Amigos. Eu gostaria de pedir mais uma salva de palmas para nossos heróis.
Todos aplaudem entusiasmados os anões e o elfo. Em seguida a cerimônia se desfaz. As pessoas voltam ao seus afazeres enquanto Abli, Gorin e Haldir se aproximam do poço e elaboram seu plano de busca pelo corpo de Rufinos Loris.
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Os dias seguintes passam rapidamente, a busca pelo corpo tomava a maior parte do dia dos heróis e no quinto dia de busca eles avistam algo que pode ser o corpo do nobre em um corredor escuro sustentado por vigas de madeira como as de uma velha mina abandonada.
O ranger e os dois anões se aproximam do corpo deteriorado. Haldir se abaixa e nota marcas de ferrões no cadáver. Gorin olha ao seu redor e encontra fissuras na parede, escondidas entre as vigas, antes que pudesse avisar os outros, duas antenas de uma imensa lacraia saem do pequeno buraco da parede. A criatura sai de lá a uma velocidade incrível e se põe na frente do anão que lhe golpeia em sua carapaça com seu machado.
Abli e Haldir não têm tempo de reagir antes que outra enorme lacraia sai da pequena fissura e ataque Abli, que se defende utilizando seu escudo. A cena distrai Gorin por um breve instante, baixando sua guarda, os ferrões da criatura penetram em seu braço e peito e seu veneno se espalha no corpo do anão.
Abli mais uma vez tenta golpear a criatura, mas mal teve tempo de desviar seus ferrões do escudo, conseguindo apenas fazer cortes superficiais nela. Haldir com seu arco em mãos, dispara uma flecha que vara a lacraia entrando em seu olho direito e saindo no esquerdo, a criatura soltou um gruído agonizante e morre aos pés de Abli.
Gorin sente o arder do veneno em seu corpo, mas mantêm o foco no combate e golpeia na parte mais vulnerável da criatura que se contorce de dor. O ranger dispara mais uma flecha, mas a criatura se mexe freneticamente por causa da dor e sua flecha acerta de raspão em sua carne. Abli tenta acertar o rabo da criatura, mas acaba golpeando o solo várias vezes. Foi quando o machado de Gorin racha a carapaça da cabeça do verme e o derruba morto ao chão.
Gorin sangra, mas isso não parece incomodá-lo mais que o veneno que arde em sua pele. Ele olha mais uma vez para a fissura na parede e vê ovos do tamanho de seu punho.
- Ovos! Por Reorx! Temos que eliminar esses malditos.
- Deixe-os – diz o ranger.
- Deixe-os! Mas nascerão mais desses monstros!
- Não são monstros, são criaturas. E aqui é o ambiente onde elas vivem. Nós é que somos os monstros aqui Gorin – completou o elfo.
- Mas elas podem subir o poço e atacar as pessoas da vila.
- Não acredito nisso. Estamos longe da aldeia e essas criaturas dificilmente sairiam das cavernas para a superfície.
Enquanto os dois discutem Abli tenta alcançar os ovos com a ponta de sua espada sem sucesso.
- Venham. Vamos levar o corpo e enterrá-lo – diz Haldir.
Gorin coloca o cadáver em suas costas e começa a carregá-lo, ao seu lado o elfo em prontidão com o arco nas mão, Abli ainda tenta eliminar os ovos.
Por fim o anão lança sua tocha no buraco, mas sem força suficiente para alcançá-los, ela bate no chão e se apaga. Imediatamente a visão do anão se adapta a escuridão e tudo se torna preto e branco, com isso ele desiste e segue atrás de seus amigos.
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O enterro é feito ao lado da muralha, no pátio interno. Gorin faz a oração que aprendeu com Turin e depois diz algumas palavras que já ouvira nos velórios do seu povo ainda em sua infância em Thorbadin.
Naquela mesma noite o fantasma não parece se manifestar com seu atormentado choro, e finalmente Luna e Gorin conseguem dormir sem interrupção.
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O sol ainda surge aquecendo as pedras da muralha, Gorin esta sentado no centro do pátio fazendo sua oração a Reorx quando começa a ouvir cochichos ao seu redor. Ele continua sem dar importância e quando abre os olhos vê uma pequena multidão de camponeses olhando admirada para ele.
- Os ferimentos dele sumiram...Enquanto ele orava os ferimentos se fecharam...o deus dele é real....Reorx curou Gorin...
Imediatamente Gorin olha para seu peito e braço e percebe que os locais onde os ferrões da lacraia perfuram sua pele haviam desaparecidos. Atordoado de espanto e alegria ele olha para a multidão e tenta formular algumas sentenças. Todos se calaram para ouvir o que o Clérigo de Reorx tem a dizer.
- Ele me ouviu...finalmente Reorx atendeu minhas orações...Estou curado...
As pessoas permanecem em silêncio tentando entender o que o anão disse, Haldir percebe a dificuldade de seu amigo em se expressar estando tão emocionado, que puxa as palmas de todos como quem encerra um discurso. Por fim os camponeses continuam a cochichar sobre o milagre que ocorrera diante de seus olhos.Rapidamente a notícia se espalha no pequeno povoado e o fascínio sobre Gorin aumenta enormemente entre os Tantalloenses.
Naquele mesmo dia ele pede para seu primo forjar uma placa de metal com o símbolo de Reorx para montar um pequeno santuário no local do pátio onde o milagre ocorrera, não só para homenagear seu deus por agraciá-lo, mas também como uma esperança que nos momentos difíceis ele possa atender aqueles que o procurarem naquele local, assim como fizera com ele.
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O mês passa rápido para todos em Tantallon.
Agora o solo esta bem cuidado e produz alguns legumes e verduras. Haldir captura algumas cabras e um curral é construído para abrigá-las. A vila já tem leite, queijo, carne. A milícia de quinze camponeses está devidamente treinada pelos primos Abli e Gorin e o santuário de Reorx finalizado.
Luna convoca a população mais uma vez aos pés da muralha para a festa de despedida dos heróis.
- Senhoras e senhores, amanhã nossos heróis irão partir. Eu gostaria de agradecer mais uma vez e dizer que vocês serão sempre bem vindos aqui.
Todos aplaudem.
- Eu quero apresentar nossa milícia treinada pelos mestres anões na arte da espada e batizá-la de Milícia Barbada, em homenagem aos anões e por um desejo da própria milícia de manter sempre suas barbas compridas em honra aos seus mestres Gorin e Abli.
A milícia formada em fila na frente da muralha, retira suas adagas e espadas e fica batendo uma na outra, emitindo um som alto de metal, entre os aplausos e gritos de alegria da população.
Os anões estufam o peito de orgulho e pensam em seus mestres Ultar e Ufgar, o quanto eles ficarão orgulhosos ao saberem de tudo.
Gorin agradece a população e faz votos de um futuro próspero, Abli apenas concorda mais uma vez.
Enquanto isso Haldir tenta pensar em algo para dizer, mas novamente seus músculos paralisam diante da multidão. Talvez fosse fácil para um anão ou humano falar em público, mas para um ranger de Qualinesti parecia algo bem fora de tudo que ele havia sido preparado a fazer. O suor escorre em seu rosto e quando lhe foi passada a palavra, mais uma vez ele apenas sussurra com a voz tremula para Luna – Eu não tenho nada a dizer.
No dia seguinte eles partem de volta a Solace, cheio de boas histórias e felizes pela forma como realizaram seu trabalho.
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